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"Tropecei" num artigo do suplemento "Sete" da edição 874 da "Visão", da autoria de Miguel Esteves Cardoso, qu e achei deveras curioso porque, afinal, fica demonstrado que, pelo menos alguma da tradicional bebida irlandesa passa pela Madeira ainda antes de por aí aparecer nas garrafas. Curiosamente, tinha estado a falar há bem poucos dias sobre um ponto que nunca esclareci: o que tornou muitos madeirenses especialmente consumidores de whisky (alguns, abundantemente...)? Talvez não tanto da influência britânica, porque há algumas outras bebidas populares inglesas, por exemplo o gin, que não tiveram a mesma projecção aqui... Então porque seria? Pois talvez esteja aqui a resposta:
Resumidamente, pelo menos no que diz respeito ao processo de envelhecimento do whisky de malte irlandês "Bushmills", a bebida passa os primeiros anos em cascos já usados para amadurecer Bourbon. Os melhores passam depois para cascos usados para envelhecer vinho de Jerez. Ou seja, o Busmills Malt de 10 anos é um malte que transitou por dois tipos de madeira: uma americana que guardou whiskey e uma andalusa, que guardou Jerez doce.
Para maltes ainda mais seleccionados, a equipa dos blenders recorre a Portugal, e é em Vila Nova de Gaia que escolhe as pipas onde o malte de 16 anos passa os últimos nove meses (tempo equivalente a um parto...), ou pelo menos seis, em função das características do clima e do sabor. Daqui resulta um whisky que, depois de passar por um estágio americano e outro espanhol, finaliza com uma estadia em Portugal e sabe a Porto...
Mas há ainda um whisky de malte que envelhece ainda mais. Ao cabo de 19 anos, viaja para... a Madeira. E é nos cascos que contiveram Vinho Madeira que passa os dois últimos anos de envelhecimento!
Recordo aquela emblemática frase do saudoso Fernando Pessa, no final das reportagens que fazia para a RTP focando casos bizarros, curiosos ou simplemente divertidos: - E esta, hem?!... |